Theory and History of Ontology (www.ontology.co)by Raul Corazzon | e-mail: rc@ontology.co

Parmenides. Bibliografia dos estudos en Português

Contents of this Section

Heraclitus and Parmenides

This part of the section History of Ontology includes the following pages:

The Thought of Heraclitus

Heraclitus and the Question of the One and the Many (under construction)

The Thought of Parmenides

Critical Notes on His Fragments (Diels Kranz fr. 1-3)

Critical Editions and translations

Annotated bibliography of studies on Parmenides in English:

A - B

C - E

F - G

H - K

L - Mos

Mou - Q

R - Sta

Ste - Z

Bibliographies on Parmenides in other languages:

Bibliographie des études en Français

Bibliografia degli studi in Italiano

Bibliographie der Studien auf Deutsch

Bibliografía de estudios en Español

Bibliografía de estudos em Português (Current page)

Index of the Section: Ancient Philosophy from the Presocratics to the Hellenistic Period

PDF version Annotated bibliography of the studies in English: Complete PDF Version on the website Academia.edu

 

Bibliografia

  1. "Parmenides I." 2017. Anais de Filosofia Clássica no. 1.

    Este volume é dedicado ao Emérito Professor Nestor Cordero, na comemoração de seus 70 anos, em grande parte ocupados com a vitalidade do Poema de Parmênides.

    Este volume, em dois números, apresenta artigos apresentados no I Simpósio Internacional OUSIA de Estudos Clássicos: O Poema de Parmênides, realizado no Rio de Janeiro em 2006. O simpósio foi uma realização dos laboratórios OUSIA (filosofia) e PROAERA (letras clássicas) da UFRJ.

    Índice: Nestor-Luis Cordero: Em Parmênides, 'tertium non datur' 1; José Trindade Santos: Parménides contra Parménides 14; Emmanuel Carneiro Leão: O homem no Poema de Parmênides 26; Fernando Muniz: A Odisséia de Parmênides 37; Luís Felipe Bellintani Ribeiro: 45; Gérard Émile Grimberg: Parmênides e a matemática 55; Carla Francalanci: O diálogo Sofista à sombra de Parmênides 69; Fernando Pessoa: Entre pensar e ser, Heidegger e Parmênides 78; Gisele Amara: A necessidade do dizer 87; Alexandre Costa: O sentido histórico-filosófico do Poema de Parmênides 92; José Trindade Santos: Índice da recepção dispensada a Parmênides, na Antiguidade 1-3.

  2. "Parmenides II." 2017. Anais de Filosofia Clássica.

    Índice: Giovanni Casertano: Verdade e erro no poema de Parmênides 1; Chiara Robbiano: Duas fases parmenídeas ao longo da via para a verdade: elenkhos e ananke 17; Charles Kahn: Algumas questões controversas na interpretação de Parmênides 33; Gabiele Cornelli: A descida de Parmênides: anotações geofilosóficas às margens do prólogo 46; Markus Fiqueira: 59; Marcus Reis Pinheiro: Plotino, exegeta de Platão e Parmênides 70; Fernanfo Santorto: Os nomes dos deuses 83; Marcelo Pimenta Marques: O frag. 4 de Parmênides 91; Izabela Bocayuva: O poema de Parmênides e a viagem iniciática 106; Fernando antoro: Tabela de valores funcionais do verbo eimi no poema de Parmênides 1-3.

  3. "Parmênides EON I." 2017. Anais de Filosofia Clássica no. 14.

    No dossiê do volume 14, inauguramos o Projeto EON – Ontologia Eleática: origem e recepção, idealizado por Nicola Galgano (USP), um amplo trabalho de cooperação internacional em História da Filosofia, que deve estender-se por vários anos e diversos meios de publicação. O primeiro Tomo do Volume 1 vem publicado nos nossos números 27 e 28 de 2020, perfazendo o dossiê especial do Volume 14 da revista.

    Índice: Rose Cherubin, Fernando José De Santoro Moreira, Nicola Galgano, Massimo Pulpito: Eleatic Ontology: origin and reception 1; Rose Cherubin, Fernando José De Santoro Moreira, Nicola Galgano, Massimo Pulpito: Ontologia Eleática: origem e recepção 19; Berruecos Frank: Parmenides and Heraclitus revisited. Palintropic Metaphysics, Polymathy and Multiple Experience 37; Jenny Bryan: The Non-Divinity of Parmenides' What-is 71; Guido Calenda: Epistemological Relevance of Parmenides’ Ontology 96; Guido Calenda: Rilevanza Epistemologica dell’Ontologia Parmenidea 121; Rose Cherubin: The Eleatics and the Projects of Ontology 146; Bruno Loureiro Conte; Doxa, Diakosmêsis and Being in Parmenides’ Poem 176; Nesto Codero: Parmenides by himself 198; Nesto Cordero: Parménide par lui même 222; Walter Fratticci Apeonta, pareonta. On fragment B4 DK 246; Walter Frattici: Apeonta, pareonta. Sul frammento B4 DK 271-296.

  4. "Parmênides EON II." 2017. Anais de Filosofia Clássica no. 14.

    Índice: Galgano: Non-being in Parmenides, DK B2 1; Daniel W. Graham: The Metaphysics of Parmenides' Doxa and Its Influence 35; James Lesher: Parmenides on Knowing What-is and What-is-not 59; Emese Mogyorodi: Materialism and Immaterialism, Compatibility and Incompatibility in Parmenides 81; Massimo Pulpito: Samian Meontology. On Melissus, Non-Being, and Self-Refutation 107; Livio Rossetti: Several New Notions Introduced and Exploited, but not Made Explicit, by Zeno (of Elea) 140; Fernando José De Santoro Moreira: Venus and the Erotics of Parmenides 165; ernando José De Santoro Moreira: Vênus e a Erótica de Parmênides 190; Panagiotis Thanassas Ontology and Doxa. On Parmenides’ Dual Strategies 216-249.

  5. Barbosa, Rafael Mello. 2015. "Sobre o Princípio de não-contradição : Entre Parmênides e Aristóteles." Anais de Filosofia Clássica no. 9:13-25.

    Resumo: "O artigo procura mostrar que Parmênides não deve ser considerado percursor do princípio de não contradição. Não são poucos aqueles que compreendem os versos B2 do poema de Parmênides como o princípio de não contradição avant la lettre. Contudo, quando se realiza tal aproximação, perdemos de vista aquilo que parece ser próprio de cada autor. Por um lado, Parmênides defende o Monon On, o Ser Único, como testemunham Platão, Zenão e Melisso. Por outro lado, é preciso não assumir uma parte mais fundamental da formulação do princípio de não contradição, do contrário teríamos que sustentar um princípio do princípio mais fundamental, o que implica ter que manter o movimento e a pluralidade como itens essenciais da formulação do primeiro princípio."

  6. Bernabé, Alberto. 2013. "Filosofía e mistérios: leitura do proêmio de Parmênides." Archai. Revista de Estudos sobre as Origens do Pensamento Ocidental no. 10:37-58.

    Resumo: "Tem-se analisado, recorrentemente, a influência de Homero e de Hesíodo no proêmio do poema de Parmênides. As possíveis influências da poesia órfica tem sido apenas consideradas.

    Todavia, diversas descobertas de textos órficos aconselham voltar a analisar os vestígios da tradição mistérica, em geral, e órfica, em particular, no poema do filósofo de Eléia, sem minimizar, com isso, as outras influências já postas em relevo.

    O autor assinalou, em um trabalho anterior, algumas conexões entre Parmênides e os textos órficos; neste artigo, a análise se centra nos pontos de contato com ideias e imagens literárias dos Mistérios que se encontram no proêmio. Não se trata de determinar as crenças do filósofo, senão de situar, no âmbito da tradição, os conteúdos doutrinais e/ou poéticos expressados nesta parte fundamental do seu poema, para fazer ver o que têm de poderosamente originais e, em consequência, tratar de determinar o significado do proêmio no conjunto da obra."

  7. Casertano, Giovanni. 2007. "A cidade, o verdadeiro e o falso em Parmênides." Kriterion. Revista de Filosofia no. 116:307-327.

    Resumo: "Parte da historiografia filosófica da segunda metade do século XIX se empenha em renovar a imagem de Parmênides de Eléia fixada pela tradição – filósofo do imobilismo, isolado, estranho e venerável – recuperando as relações estreitas que ele mantinha com as exigências da cultura de sua época. O propósito deste artigo é reconduzir Parmênides ao seu tempo, apontando o pensamento vivo de um homem que foi não apenas filósofo, mas também cientista e político de grande relevo."

  8. Cordero, Néstor-Luis. 2011. Sendo, se é. A Tese de Parmênides. São Paulo: Odysseus.

    Tradução de Eduardo Wolf.

    "A interpretação de Parrnênides que proponho neste trabalho é resultado de mais de quarenta anos de investigações acerca do grande filósofo eleático.

    Nada assegura, no entanto, que essa interpretação seja definitiva. Os cento e cinquenta versos que puderam ser recuperados de seu Poema (apenas três ou quatro páginas de um texto impresso atual) parecem ser inesgotáveis: cada palavra é uma espécie de bomba relógio, ou, para usar uma metáfora mais agradável, uma espécie de fogo de artifício que, uma vez aceso, espalha-se em variadas cores. Consciente dessa riqueza, minha tarefa principal consistiu em, durante muitos anos, "depurar" o texto do Poema, texto que ao longo dos séculos foi abrigando leituras equivocadas e, pior ainda, conjecturas excessivamente

    fantasiosas. Uma leitura direta das principais fontes do Poema (entre elas, os manuscritos de Proclo e de Simplício existentes atualmente, entre outros), permitiu-me apresentar um texto que considero mais próximo do original que a versão clássica de H. Diels.

    Uma segunda etapa, que forma o núcleo central desse trabalho, consistiu em interpretar o texto, que já na Antiguidade foi objeto de leituras muito diferentes (Platão e Aristóteles, por exemplo, não parecem estar se referindo ao mesmo filósofo quando comentam Parmênides). Minha interpretação ressalta a contribuição original da filosofia de Parmênides com relação a outros pensadores de seu tempo, mas não pretende separá-lo do contexto filosófico dos pré-socráticos para fazer dele uma espécie de "pai" da oncologia) (p. XII)

  9. ———. 2011. "Una consecuencia inesperada de la reconstrucción actual del Poema de Parménides." Hypnos:222-229.

    Resumo: "O estabelecimento moderno do texto do poema de Parmênides, ao apresentá-lo em uma certa ordem de fragmentos, induziu os intérpretes à divisão de sua doutrina em “Verdade“ e “Opinião”. Lançando dúvidas quanto a essa ordenação e questionando a leitura do poema em duas “partes”, o autor procura desvincular os testemunhos que tratam dos astros de qualquer suposta doutrina parmenídica das doxai."

  10. ———. 2013/2014. "O diálogo enganoso de Platão consigo mesmo na primeira parte do Parmênides." Revista E. F.e H. da Antiguidade, Campinas no. 27:103-122.

    Tradução e notas: André Luiz Braga da Silva (USP).

    Resumo: "Não são cabíveis dúvidas de que o Parmênides é um diálogo estranho. Ele foi escrito mais de vinte anos após a abertura da Academia, e Platão viu na obra a oportunidade para exibir certos pontos débeis de sua Teoria das Formas (sugeridos quiçá por alunos avançados, colegas, ou diretamente detectados por ele mesmo). Elegeu para isso uma miseen-scène adequada: fez sua teoria ser exposta pelo seu porta-voz habitual, Sócrates, mas o rejuvenesceu: na fi cção este não tem mais de vinte anos. Isso não signifi ca que sua posição fi losófica seja diferente: tudo que este diz corresponde literalmente às ideias expostas por Platão em diálogos anteriores... Mas a falta de experiência própria à juventude o impedem de responder às severas críticas que lhe apresenta seu interlocutor, o “grande Parmênides”.

    O diálogo trata-se, na realidade, de um diálogo de Platão consigo mesmo: sob o aspecto do jovem Sócrates, ele expõe a versão tradicional de sua teoria; e, identifi cando-se com o personagem Parmênides, critica os aspectos sensíveis que, no momento de escrever este diálogo, ele encontrou em sua filosofia. Todavia, este diálogo de Platão consigo mesmo é enganoso porque Platão já tem elaboradas as respostas às críticas que ele põe na boca de Parmênides. Estas respostas aparecerão no diálogo Sofista."

  11. de Azevedo, Cristiane A. 2017. "O discurso sobre o devir no poema de Parmênides: a presença fundamental de Éros na constituição do cosmos e do homem." Revista Enunciação no. 2:72-84.

    Resumo: "Este artigo pretende, primeiramente, voltar-se para a última parte do poema de Parmênides que ficou ao longo de séculos relegada ao âmbito do não-ser, da aparência ou da falta de verdade. Este discurso trata da dóxa dos mortais e apresenta os elementos que formam a cosmologia. Nosso objetivo é pensar a dóxa de maneira positiva, constituindo-se como a maneira própria de falar daquilo que está sujeito ao devir, a saber, o sol, a lua, as estrelas, a Via Láctea, o homem. Em um segundo momento, vamos pensar não só a presença e a função de Éros no cosmos construído pelo pensamento de Parmênides mas também sua importância para o homem."

  12. Galgano, Nicola Stefano. 2012. "DK 28 1.29. A verdade tem um coração intrépido?" In Una mirada actual a la filosofía griega. Ponencias del II Congreso Internacional de Filosofía Griega de la Sociedad Ibérica de Filosofía Griega, 189-202. Madrid-Mallorca: Ediciones de la Sociedad Ibérica de Filosofía Griega (SIFG).

    "O artigo estuda uma das passagens mais famosas do Poema de Parmênides, o verso 29 do fragmento 1, Ἀληθέιης εὐκυκλέος ἀτρεμές ἦτορ, que literalmente pode ser assim traduzido: «o coração intrépido da verdade bem redonda». Essas palavras são proferidas por uma deusa anônima a um discípulo e querem expor o programa de ensino da divina mestra: o discípulo tem que aprender a verdade, mas também as opiniões dos mortais. Todos os estudiosos interpretam esse verso como metáfora, onde as expressões ‘coração intrépido’ e ‘bem redonda’ formam a imagem de uma ‘verdade imortal’ oposta às ‘opiniões dos mortais’.

    O artigo questiona esta interpretação metafórica, talvez platonizante, alegando três tipos de considerações: literárias, (imagem imprópria de um coração que não bate, intrépido), históricas (pela fisiologia da época o coração é também a sede do pensamento) e filológicas (o termo para significar ‘centro’ é καρδία e não ἦτορ). A nova tradução proposta mostra que Parmênides queria dizer algo mais simples, isto é, ‘a mente firme da verdade bem conexa’, apontando para um fenômeno psicológico, a persuasão, sucessivamente retomado no fragmento 2." (p. 189)

  13. ———. 2016. "Os limites da palavra: Parmênides e o indizível." Revista Ética e Filosofía Política no. 2:4-24.

    Resumo: "A importância do papel de Parmênides na história da filosofia foi evidenciada por Hegel, quando chegou a considerá-lo o primeiro verdadeiro filósofo. No entanto, o hegelianismo e, com ele, a moderna história da filosofia acentuaram a descoberta parmenidiana do ser, deixando de lado a complexa noção de não-ser. Mas o próprio Parmênides, ao introduzir aquelas noções, se dedica mais à explicitação e à argumentação do não-ser, mostrando algumas características peculiares que acabam tendo consequências sobre a estruturação do discurso cognitivo. Uma destas características é a indizibilidade do não ser, demonstrada por Parmênides indiretamente. Com a afirmação da indizibilidade, Parmênides estabelece, pela primeira vez na história do pensamento ocidental, um limite para o uso da linguagem e, portanto, um critério para o desenvolvimento do discurso epistêmico, uma autêntica regra metalinguística. A presente análise procura evidenciar os argumentos de Parmênides a partir do texto do poema, revelando a sutileza da reflexão do eleata, o primeiro a introduzir a problemática da linguagem epistêmica na cultura ocidental."

  14. Huguenin, Rafael. 2009. "Sugestões para a interpretação do poema de Parmênides." Síntese. Revista de Filosofia no. 36:197-218.

    Resumo:" O objetivo deste artigo é oferecer uma sugestão para uma nova interpretação do poema de Parmênides. Para isso, em um primeiro momento, (I) discutiremos algumas abordagens tradicionais das duas vias de conhecimento no fragmento 2 e suas relações com as funções do verbo grego ‘ser’. Depois, (II) faremos uma exposição da tese de Charles Kahn acerca dos usos antigos do verbo ‘ser’, que coloca a questão em novos termos. Para concluir, (III) mostraremos como alguns aspectos da tradição oral, na qual o poema está certamente inserido, podem iluminar a interpretação dos problemas aos quais ele se dirige."

  15. ———. 2013. "Parmênides e Frege: um breve estudo sobre as relações entre o poema sobre a natureza e as investigações lógicas." Kriterion. Revista de Filosofia no. 54:7-24.

    Resumo: "O presente texto tem como objetivo estabelecer algumas relações entre o poema de Parmênides e as Investigações Lógicas, de Frege.

    Mais especificamente, nosso objetivo é iluminar certos aspectos do poema de Parmênides por meio de uma comparação com certas noções utilizadas por Frege para caracterizar aspectos centrais de seu pensamento."

  16. ———. 2015. "O fragmento B4 de Parmênides à luz da épica." Prometeus - Filosofia no. 8:218-227.

    Resumo: "O propósito do presente texto é interpretar alguns termos empregados por Parmênides de Eléia em seu fragmento B4 à luz dos usos homéricos dos mesmos termos, em especial aqueles utilizados em contextos militares"

  17. Kahn, Charles H. 1997. Sobre o verbo grego ser o conceito de ser. Rio de Janeiro: Núcleo de Estudos de Filosofia Antiga (Depto. de Filosofia da PUC-Rio).

    Sumário: Editorial V; Apresentação IX; O Verbo Grego "Ser" e o Conceito de Ser 1; Sobre a Teoria do Verbo "Ser" 33; Sobre a Terminologia para Cópula e Existência 63; Por que a Existência não emerge como um Conceito distinto na Filosofia Grega ? 91; Alguns Usos Filosóficos do Verbo "Ser"em Platão 107; Retrospectiva do Verbo "Ser" e do Conceito de Ser 155; Ser em Parmênides e em Platão 197-227.

    Apresentação: "No artigo "Retrospectiva sobre o Verbo 'Ser' e o Conceito de Ser", incluído nesta coletânea, Charles Kahn apresenta as razões que o levaram a investigar o verbo grego einai: seu objetivo era "fornecer uma espécie de prolegômenos gramaticais ao estudo da ontologia grega". Desconfiado de uma compreensão do verbo einâi que se tinha tornado cristalizada, e que lhe atribuía esquematicamente ou bem um uso copulativo ou o sentido de existência, desconfiado além disso da própria noção de existência a ele associada sem nenhuma crítica, Kahn empreendeu um estudo sobre os usos ordinários do verbo, independentes de seu uso especial pelos filósofos, a fim de "esclarecer o ponto de partida pré-teórico para as doutrinas do Ser desenvolvidas por Parmênides, Platão, Aristóteles".

    Kahn começou a publicar os resultados de suas pesquisas em 1966, com o artigo que abre este volume, "O Verbo Grego 'Ser' e o Conceito de Ser". A partir daí, nunca mais o verbo grego ser foi o mesmo.

    As revelações de Charles Kahn sobre os usos e sentidos do verbo einai supreenderam os meios acadêmicos, e obrigaram a uma revisão radical de interpretações tradicionais não só sobre o sentido do verbo ser nos textos gregos, mas sobre o sentido dos próprios textos dos filósofos que forjaram o conceito de Ser, o fundamento por excelência do pensamento filosófico ocidental. O que realmente disseram Parmênides, Platão, Aristóteles, quando falaram sobre ser e o Ser? Tudo teve de ser revisto, e as polêmicas, evidentemente, não poderiam faltar. Nos debates em que se viu envolvido, Charles Kahn soube defender suas posições e soube ouvir seus opositores. Dessa escuta atenta são prova os ajustes e precisões introduzidos em suas teses ao longo do tempo. Seria redundante, na ocasião em que publicamos seus textos, apresentar, ainda que resumidamente, tanto as teses originais de Kahn quanto os ajustes e precisões a que nos referimos. Os artigos desta coletânea estão organizados cronologicamente, para que o leitor possa acompanhar essa evolução." (pp. IX-X)

  18. Pereira da Silva, José Lourenço. 2010. "Sobre o conceito de Noeîn em Parmênides." Dissertatio no. 32:177-191.

    Resumo: "O verbo noeîn e sua substantivação nóos pertencem ao vocabulário cognitivo grego na literatura épica e pré-socrática comunicando a ideia de uma apreensão imediata da realidade ou da verdade de um objeto, isto é, um tipo de cognição análogo à percepção

    sensível em seu caráter intuitivo e direto. Segundo Von Fritz, esses conceitos passaram por uma evolução na qual Parmênides representa um momento decisivo. Em Parmênides, sem perder o aspecto preponderante de uma intuição da natureza das coisas – portanto de captar o ser (tò eón) – o nóos também opera como raciocínio lógico. Quer dizer, noeîn-nóos exerce uma dupla função: é o contato direto com a realidade última e o pensamento discursivo, que argumenta, infere e deduz. Nosso propósito aqui é mostrar como, em Parmênides, essas funções do nóos se encontram articuladas."

  19. ———. 2014. "Sobre alguns problemas de interpretação difícil no Poema de Parmênides." Hypnos no. 12:108-129.

    Resumo: "Parmênides de Eléia é o mais importante pensador pré-socrático.

    Seu poema filosófico marca um momento decisivo na história da investigação racional no século V a.C. Os fragmentos restantes, objeto de amplo debate entre os estudiosos da filosofia antiga, apresenta problemas para a interpretação do pensamento de Parmênides. Focalizando sua 'via da Verdade', sugiro uma interpretação das lições de Parmênides sobre o ser. Examino três problemas cruciais extensamente tratados na literatura crítica sobre Parmênides: (i) sua relação com outros filósofos do seu tempo, (ii) o sujeito do verbo ser em seu poema, e (iii) o significado desse verbo no fragmento 2."

  20. Santoro, Fernando. 2008. "As provas contra o ente, no tribunal de Parmênides." O que nos faz pensar no. 17:35-45.

    Resumo: "Confluem, para a originalidade da linguagem ontológica de Parmênides, determinadas figuras de linguagem (skhemáta léxeon) do campo discursivo da veracidade, entre as quais destacam-se figuras da nascente retórica forense. Isto, evidentemente, já na tradição originária dos filósofos que falam da natureza, que Aristóteles chamou de físicos, fisiólogos. No fragmento 8, a Deusa do Poema de Parmênides leva o ente ao tribunal, denuncia-lhe os sinais (sémata) e por fim amarra-o nos liames da Necessidade."

  21. ———. 2012. "Da Experiência à Ciência, o Céu de Parmênides." In Λόγον διδόναι. La filosofia come esercizio del render ragione. Studi in onore di Giovanni Casertano, edited by Palumbo, Lidia, 115-125. Loffredo: Napoli.

  22. Santoro, Fernando, Cairus, Henrique, and Ribeiro, Tatiana, eds. 2009. Acerca do Poema de Parmênides. Rio de Janeiro: Azougue Editorial.

    Prefácio 5; Néstor Cordero: En Parmenides, ‘tertium non datur’ 11; José Trindade Santos: Parménides contra Parménides 23; Emmanuel Carneiro Leão: O homem no Poema de Parmênides 43; Giovanni Casertano: Verdade e erro no Poema de Parménides 53; Chiara Robbiano: Duas fases parmenídeas ao longo da via para a Verdade: elenkhos e ananke 65; Charles Kahn: Algumas questões controversas na interpretação de Parmênides 79; Fernando Muniz: A Odisséia de Parmênides 91; Luis Felipe Belintani Ribeiro: Parmênides trágico 97; Gérard Émile Grimberg: Parmênides e a matemática 107; Carla Francalanci: O diálogo Sofista à sombra de Parmênides 119; Fernando Pessoa: Entre pensar e ser, Heidegger e Parmênides 127; Gisele Amaral: A necessidade do dizer 135; Gabriele Cornelli: A descida de Parmênides: anotações geofilosóficas às margens do prólogo 139; Izabela Bocayuva: O Poema de Parmênides e a viagem iniciática 149; Markus Figueira: O atomismo antigo e o legado de Parmênides 161; Marcus Reis Pinheiro: Plotino, exegeta de Platão e Parmênides 171; Alexandre Costa: O sentido histórico-filosófico do Poema de Parmênides 181; Marcelo Pimenta Marques: Relendo o Fragmento 4 de Parmênides 213; Bibliografia 225-235.

  23. Soares, Marcio. 2008. "Sobre ser, pensamento e discurso no poema de Parmênides." Intuitio no. 1:232-248.

    Resumo: "Visamos tratar das relações entre ser, pensar e dizer na filosofia de Parmênides de Eléia.

    Nesse sentido, procuramos demonstrar a sistemática imbricação entre essas três dimensões, na medida em que, segundo o Filósofo eleata, apenas o que realmente é (o ser) pode ser dito e pensado, como uma senda segura de investigação filosófica. Visamos, ainda, demonstrar que o nãoser acaba por figurar apenas como uma expressão lingüística puramente negativa na filosofia parmenídica, sem qualquer correspondência real (ôntica). Com isso, queremos defender que a via do não-ser e a opinião dos homens mortais são distintas e não podem ser confundidas. A partir dessa proposta interpretativa do poema de Parmênides, especulamos sobre os limites e paradoxos de sua filosofia ao pensar o não-ser como expressão negativa na linguagem, ao mesmo tempo em que o Filósofo proíbe completamente sua investigação. Também procuramos, ao final do texto, discutir o próprio conceito de discurso que resulta como conseqüência da filosofia parmenídica, especialmente em relação à opinião.

    Para tanto, começamos analisando o proêmio do poema parmenídico desde a perspectiva da tradição poética grega, tentando demonstrar que nosso Filósofo reside em uma região fronteiriça entre a poesia e a filosofia nascente."

  24. Spinelli, Miguel. 1997. "O Exame de Aristóteles da Proposição Ontológica de Parménides." Revista Portuguesa de Filosofia no. 53:323-349.

  25. Suárez de la Torre, Emilio. 2011. "El problema de Parmenides." Humanitas:27-59.

    Resumo: "Este artigo foca dois elementos convergentes: 1. Uma tentativa de explicação do chamado estilo ‘áspero’ de Parménides, que pode ser justificado como uma ‘estratégia de estilo’ em busca de uma perfeita adaptação da linguagem aos princípios defendidos. 2. Algumas reflexões sobre a auto-apresentação de Parménides em relação ao contexto social e religioso, tendo em conta não só as circunstâncias contemporâneas, mas também a imagem do filósofo projectada na tradição local."

  26. Trindade Santos, José. 2012. "A questao da "Existencia" no Poema de Parmenides." Filosofi a Unisinos no. 13:182-198.

    Resumo: "O texto estuda o uso do verbo grego ‘ser’ por Parmênides com vista ao estabelecimento do conceito de ‘ser’ pelos pensadores por ele infl uenciados.

    Foca a noção de ‘existência’ tentando avaliar a correcção do nosso uso do verbo ‘existir’ para traduzir o verbo grego ‘einai’ no Peri physeôs. Baseado em considerações de ordem cognitiva, Parmênides avança a sua tese sobre a impossibilidade de conhecer “o que não é” (B2.5-8a) visando estabelecer “o que é” como “o que há para pensar” (B2.2; B8.15-18), para permitir a identidade de “pensar” e “ser” (B3; B8.34). Se, ao longo do argumento da Via da Verdade, Parmênides lê a existência como um pressuposto de “o que é”, mas nunca como um predicado separado, devem ser rejeitadas as leituras existenciais do verbo ‘ser’ nas traduções das expressões que nomeiam os dois caminhos (B2.3; B2.5)."

  27. ———. 2012. "A leitura de "É/Enao É" a partir de Parmênides, B2." Dissertatio no. 36:11-31.

    Resumo: "Interpreto antepredicativamente o argumento de Parmênides na “verdade” do Da natureza. Chamo ‘antepredicativa’ a uma interpretação que, explorando a ausência de sujeito e predicado em “é/não é” (B2.3,5), lê os dois caminhos como expressões autoreferenciais, negando às formas verbais usadas o valor de cópulas. Da incognoscibilidade de “que não é” (B2.6-8a) resulta a “decisão de abandonar esse ‘não-nome’ (anônymon: B8.17) como via de investigação” (B8.17-18a), “deixando” ‘que é’ (B8.2) como o único [‘nome’]” (B8.1b-2a) que “pode ser pensado” (B8.18b). Nesta interpretação, ‘ser’ não é objeto de ‘pensar’, nem pensar’/‘pensamento’ a faculdade que capta o “ser” (B3, B8.34), mas o estado cognitivo infalível em que “pensamento, pensar e pensado são” (B6.1a). A leitura antepredicativa de Parmênides deixou sinais em textos de Platão, Górgias e Protágoras, alguns anunciando a captação da antepredicatividade pela predicação, nos diálogos platônicos."

  28. ———. 2015. "Parmênides e a antepredicatividade." Filosofia. Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto no. 32:9-33.

    Resumo: "O texto propõe uma interpretação antepredicativa dos argumentos de Parménides na Alêtheia do seu Poema. Lida antepredicativamente, a oposição do par de esti sem sujeito em ambos os «caminhos para pensar» (B2.2) implica apenas que se um deles «é» (B2.3), então necessariamente o outro «não é» (B2.5). Esta oposição justifica a necessidade de escolher (B8.15) entre eles, abandonando «a via impensável e anónima » (B8.17-18; B2.7-8), consequentemente deixando «é» como a via autêntica (B8.18). Devido ao hábito de confiar nas sensopercepções (b7.3-5a), as «opiniões dos mortais» ignoram esta oposição (B64-9), «considerando o ser e não-ser o mesmo e o não-mesmo» (B6.8-9a; B8.40). Contudo, os homens não deviam errar (B8.54), levados pela mistura dos seus membros (B16.1-2a), «pois, o pleno é pensamento » (B16.4b; B9.1-4)."

  29. Vanin, Andrei Pedro. 2017. "As ‘Raizes da verdade' no proêmio do poema 'Da natureza' de Parmênides." Gavagai no. 4:103-120.

    Resumo: "O texto procura evidenciar como algumas noções de verdade presentes, sobretudo, na Odisseia e na Ilíada, influenciaram a definição de verdade proposto no poema Da Natureza de Parmênides. A vasta literatura a respeito do tema, de modo geral, considera Parmênides o ‘divisor de águas’ entre a poesia e filosofia. Dada a importância filosófica do poema, ao enunciar pela primeira vez a identidade entre o ser e o pensar, esquece-se de ressaltar, no mais das vezes, fato não menos importante, a teoria literária subjacente ao poema, bem como as influências e semelhanças com os mitos precedentes. Sendo assim, parte-se de uma rápida caracterização do modo pelo qual a noção de verdade é apresentada em passagens específicas da Odisseia e da Ilíada. O segundomomento, apresenta rapidamente e de modo geral, a noção de verdade no poema de Parmênides, para após, buscar por contraste as semelhanças/dessemelhanças em relação aos poemas ditos homéricos, centrando-se a análise no proêmio do poema Da Natureza, onde pode-se ilustrar um contexto de teoria literária arcaica específico presente em ambos os textos a serem analisados, a saber: a adequação do assunto e estilo.".